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Não consigo emagrecer: qual médico procurar?

Se você já tentou várias vezes, o problema costuma não ser a dieta — é o que não foi investigado antes dela. Qual médico procurar, o que precisa ser investigado e como é uma primeira consulta bem feita.

Escrito e revisado por Dr. Mitsuo Obata · Médico · CRM 52541/PR Leitura: 7 min

Em resumo

  • Se você já tentou várias vezes e não funcionou, o problema provavelmente não é a dieta. É o que não foi investigado antes dela.
  • O médico que trata obesidade e dificuldade de emagrecer costuma ser o endocrinologista ou o médico com formação em metabologia. Nutrólogo e clínico geral com experiência na área também conduzem.
  • Antes de qualquer plano, vale investigar tireoide, resistência à insulina, sono, medicações em uso e o cenário hormonal.
  • O nutricionista é peça central do tratamento, mas não solicita nem interpreta a investigação médica.
  • Um sinal de alerta: quem prescreve na primeira consulta sem investigar nada.

Qual médico procurar quando não se consegue emagrecer?

O profissional que conduz esse tipo de investigação é o médico com formação em endocrinologia e metabologia. Nutrólogos e clínicos gerais com experiência na área também acompanham esses casos. O que importa é encontrar alguém que investigue antes de prescrever.

Essa distinção é o que separa mais uma tentativa frustrada de um processo que funciona. Boa parte das pessoas que dizem “não consigo emagrecer de jeito nenhum” tem alguma condição não diagnosticada segurando o processo, e nenhuma dieta vence uma condição que ninguém procurou.

Por que as tentativas anteriores falharam

Não é falta de força de vontade, e isso não é consolo. É fisiologia. Fome, saciedade, disposição para se mover e a velocidade com que o corpo queima energia são regulados por hormônios e por sinais que vêm do intestino, do tecido adiposo e do cérebro.

Quando o corpo perde peso, ele reage: a fome aumenta, o gasto energético diminui e o organismo passa a defender o peso anterior. É por isso que um plano funciona por algumas semanas e falha depois. E cada ciclo de perda e reganho deixa a tentativa seguinte mais difícil.

A pergunta que muda tudo

Em vez de “qual dieta eu faço agora”, a pergunta útil é “o que está me impedindo de responder como eu deveria”. A primeira leva a mais uma tentativa. A segunda leva a uma investigação.

O que precisa ser investigado antes de começar

Estas são as causas mais comuns e mais subdiagnosticadas de dificuldade importante para emagrecer.

Médico, nutricionista ou os dois?

Os dois, e com papéis distintos. A confusão sobre isso faz muita gente escolher errado e perder tempo.

Médico Nutricionista
Solicita e interpreta exames Sim Não
Diagnostica doenças Sim Não
Prescreve medicação Sim Não
Monta o plano alimentar Orienta É a atribuição dele
Acompanha comportamento alimentar Parcialmente É a atribuição dele

Na prática, o médico investiga e trata o que está travando o processo; o nutricionista constrói e sustenta a mudança alimentar. Quando os dois conversam, o resultado é melhor, e é por isso que vale escolher profissionais que trabalhem de forma integrada.

Como é uma primeira consulta bem feita

Ela é longa, e isso é um bom sinal. O médico reconstrói a história inteira: peso ao longo da vida, tentativas anteriores e por que falharam, rotina real de alimentação, movimento e sono, medicações, exames prévios e o que você quer recuperar.

Só depois disso vêm os exames, pedidos conforme o que a história sugeriu, não um pacote padrão para todo mundo. E o plano é montado a partir do que a investigação encontrar.

Sinais de alerta

Desconfie de prescrição na primeira consulta sem nenhuma investigação. De promessa de quantos quilos você vai perder e em quanto tempo. De pacote fechado vendido antes da avaliação. E de qualquer abordagem que trate emagrecimento como questão só estética, ignorando pressão, glicemia, sono e disposição.

E os medicamentos que estão em todo lugar?

Existem medicações com evidência sólida para tratamento da obesidade, e elas mudaram o cenário nos últimos anos. Mas a indicação é individual e médica: depende do quadro clínico, das condições associadas, do histórico e da avaliação de risco e benefício para aquela pessoa.

Duas coisas valem ser ditas com clareza. A primeira é que medicação não substitui investigação, se existe hipotireoidismo ou resistência à insulina não tratada, isso precisa entrar na conta. A segunda é que nenhuma delas funciona sozinha e para sempre: o que sustenta resultado ao longo do tempo é o acompanhamento, incluindo alimentação, massa muscular e sono.

Dúvidas frequentes

As duas formações acompanham obesidade e alterações metabólicas. O critério mais útil não é o título, e sim a conduta: se o profissional investiga antes de prescrever, e se acompanha ao longo do tempo em vez de resolver em uma consulta.

Leve os que já tiver, mesmo antigos, a evolução ao longo dos anos diz muito. Os exames que fizerem sentido para o seu caso são solicitados depois da avaliação. Pedir tudo antes de conhecer a história gera custo sem informação.

O balanço entre o que se come e o que se gasta importa, mas ele não é um botão sob controle voluntário. Fome, saciedade e gasto energético são regulados por hormônios. Ignorar isso é o que faz a maioria dos planos falhar.

Depende do ponto de partida e do que a investigação encontrar. O que se pode dizer com honestidade é que processos sustentáveis são graduais, e que velocidade excessiva costuma vir à custa de massa muscular e de reganho depois.

Vale, e com um ajuste importante de expectativa: no lipedema o tecido acometido responde pouco à restrição calórica, e é comum emagrecer do tronco sem mudança nas pernas. O objetivo passa a incluir controle de dor, inflamação e progressão, não só o número na balança.

Referências

  1. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade.
  2. Bray GA, Heisel WE, Afshin A, et al. The Science of Obesity Management: An Endocrine Society Scientific Statement. Endocr Rev. 2018;39(2):79, 132. doi:10.1210/er.2017-00253
  3. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss. N Engl J Med. 2011;365(17):1597, 1604. doi:10.1056/NEJMoa1105816

Conteúdo informativo, escrito e revisado por Dr. Mitsuo Obata — Médico · CRM 52541/PR. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Resultados variam de pessoa para pessoa e não são garantidos.

MO

Dr. Mitsuo Obata

Médico com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia. Atende em Londrina e por telemedicina, com foco em lipedema, tireoide e emagrecimento.

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O acompanhamento é conduzido pelo Dr. Mitsuo Obata, médico com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia, presencialmente em Londrina e por telemedicina para pacientes de outras cidades e estados.

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