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Como saber se tenho Hashimoto? Os sintomas e o caminho até o diagnóstico

Nenhum sintoma confirma Hashimoto — quem confirma são os anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina. Mas são os sintomas que fazem alguém pedir o exame. Os sinais mais comuns, por que confundem tanto, quais exames pedir e como organizar o quadro antes da consulta.

Escrito e revisado por Dr. Mitsuo Obata · Médico · CRM 52541/PR Leitura: 8 min

Em resumo

  • Sintoma nenhum confirma Hashimoto. Quem confirma são os anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina no exame de sangue.
  • Mas os sintomas são o que faz alguém suspeitar e pedir o exame, e é aí que a maioria dos diagnósticos se perde.
  • O quadro se instala devagar, ao longo de anos, e por isso a pessoa se acostuma com um estado que não é o dela.
  • Dá para ter Hashimoto com a função da tireoide ainda normal. Nesse caso não se trata com hormônio, mas se acompanha de perto.
  • Organizar os sintomas antes da consulta muda a qualidade da avaliação. É para isso que serve o Mapa de Sintomas.

Como saber se tenho Hashimoto?

Não existe sintoma que confirme Hashimoto. A confirmação vem de um exame de sangue simples e barato: os anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina. Se eles estiverem positivos, existe o processo autoimune contra a tireoide.

O que os sintomas fazem é outra coisa, igualmente importante: eles são o motivo pelo qual alguém pede o exame. E é exatamente aí que a maior parte dos diagnósticos se perde, porque cada sintoma isolado cabe em várias explicações, e ninguém junta o conjunto.

Os sintomas que levantam a suspeita

Nenhum destes é específico de Hashimoto. O que chama atenção é a soma, e sobretudo a instalação lenta.

Mapa de Sintomas de Hashimoto

Ler uma lista solta é diferente de olhar para o próprio conjunto. O Mapa de Sintomas organiza o que você sente por áreas do corpo e devolve uma leitura educativa de quais delas podem merecer atenção. Leva poucos minutos e é gratuito.

Uma coisa precisa ficar clara: ele não dá diagnóstico e não substitui avaliação médica. Nenhuma ferramenta faz isso, e desconfie de qualquer uma que prometa. O valor dele é outro, chegar à consulta com os sintomas organizados muda a qualidade da conversa, porque o que costuma faltar não é exame, é a história bem contada.

Por que esses sintomas confundem tanto

Porque todos têm outras explicações possíveis, e boa parte delas é comum. Cansaço, ganho de peso e queda de cabelo também aparecem em anemia, deficiência de ferro ou vitamina D, resistência à insulina, distúrbios do sono e nas alterações do climatério.

Some-se a isso o fator tempo. O Hashimoto não chega de uma vez: ele avança ao longo de anos, e a pessoa vai se ajustando ao novo normal. Quando finalmente procura ajuda, já esqueceu como era a disposição de antes, e descreve o quadro como se sempre tivesse sido assim.

Por isso a investigação séria não pergunta só “o que você sente hoje”. Pergunta quando começou, o que mudou, e o que você deixou de fazer sem perceber.

Quais exames confirmam

A investigação básica é acessível e resolve a maior parte das dúvidas.

Exame O que mostra
Anti-TPO O anticorpo mais associado ao Hashimoto. Positivo indica o processo autoimune.
Anti-tireoglobulina O segundo anticorpo. Complementa o anti-TPO e às vezes é o único positivo.
TSH Mostra se a função já foi afetada. Sobe quando a glândula produz de menos.
T4 livre Mede o hormônio que a tireoide de fato entrega. Diferencia o quadro subclínico do manifesto.
Ultrassom de tireoide Avalia tamanho, textura da glândula e nódulos. Complementa, não substitui o sangue.

Pedir só TSH resolve muitos casos, mas deixa escapar justamente quem tem anticorpos positivos com função ainda normal, que é uma parcela grande, e que precisa de acompanhamento mesmo sem tratamento.

Dá para ter Hashimoto sem ter hipotireoidismo?

Dá, e é mais comum do que parece. É possível ter os anticorpos positivos com TSH e T4 livre normais. Existe a doença autoimune, ainda sem repercussão sobre a função da glândula.

Nesse cenário não se trata com hormônio, não haveria o que repor. O que muda é a vigilância: essa pessoa passa a ser acompanhada com regularidade, porque a chance de evoluir para hipotireoidismo ao longo dos anos é real. E há um momento em que essa vigilância importa muito: na gestação e em quem está tentando engravidar, as metas são mais rigorosas e a reavaliação é mais frequente.

Hashimoto engorda?

O hipotireoidismo não tratado reduz o gasto energético e favorece retenção de líquido, então contribui para o ganho de peso e para a dificuldade de emagrecer. Mas a resposta honesta tem duas partes.

A primeira é que o ganho atribuível à tireoide costuma ser mais modesto do que a maioria imagina, e boa parte dele é líquido, não gordura. A segunda é que corrigir a tireoide não é, por si só, tratamento de emagrecimento: devolve ao corpo a condição normal de responder, e o restante do trabalho continua necessário.

O que se vê na prática é o inverso do esperado, a pessoa tenta emagrecer por anos com a tireoide desregulada, conclui que o problema é ela, e quando a função é corrigida descobre que a mesma conduta que não funcionava passa a funcionar.

Hashimoto é perigoso?

Não tratado e por muitos anos, o hipotireoidismo traz consequências reais: alteração do colesterol, aumento do risco cardiovascular, complicações na gestação e impacto importante em disposição, humor e cognição.

Tratado e acompanhado, o cenário é outro. É uma condição crônica que se controla bem, e a pessoa leva uma vida normal. A palavra que descreve melhor a conduta não é urgência, é continuidade, a necessidade de dose muda ao longo da vida, com gestação, mudança de peso, envelhecimento e a própria progressão da doença.

Os sintomas mudam entre mulheres e homens?

A doença é várias vezes mais frequente em mulheres, e é nelas que o quadro costuma ser reconhecido mais cedo, em parte porque as alterações menstruais e a dificuldade para engravidar funcionam como pistas adicionais.

Nos homens, os mesmos sintomas aparecem, mas com frequência são atribuídos a estresse, excesso de trabalho ou idade, e a investigação demora mais. Cansaço persistente, queda de libido, ganho de peso e desânimo em homem merecem a mesma investigação de tireoide que mereceriam em mulher.

Antes da consulta

Se você se reconheceu em vários dos sinais acima, dois passos ajudam. Organize os sintomas no Mapa de Sintomas, que devolve uma leitura educativa por área do corpo. E leve à consulta os exames que já tiver, mesmo antigos, a evolução ao longo dos anos costuma dizer mais do que um resultado isolado.

Dúvidas frequentes

Hipotireoidismo é a função baixa; Hashimoto é uma das causas possíveis dela, a mais comum no Brasil. Quem separa os dois são os anticorpos: com anti-TPO ou anti-tireoglobulina positivos, a origem é autoimune.

Não é necessário para anti-TPO e anti-tireoglobulina. Se outros exames forem coletados na mesma ocasião, siga a orientação de jejum deles. Vale avisar se você usa suplemento de biotina, que interfere em vários exames hormonais.

Não, e nenhuma ferramenta desse tipo dá. Ele organiza os sintomas relatados e aponta áreas que podem merecer atenção, em linguagem educativa. O diagnóstico depende de exame de sangue e de avaliação médica.

Não existe cura para a doença autoimune em si, mas o hipotireoidismo que ela causa é tratável e controlável. Com acompanhamento adequado, a pessoa leva uma vida normal.

Não existe recomendação universal nesse sentido. A associação entre Hashimoto e doença celíaca é reconhecida, e por isso faz sentido investigar celíaca quando há sintomas digestivos, mas isso é diferente de indicar restrição para todo mundo. A conduta alimentar é individual.

Vale ampliar a investigação em vez de encerrar. Verifique se os anticorpos foram pedidos, e não só o TSH. E descarte o que se confunde: anemia, deficiência de ferro ou vitamina D, resistência à insulina, distúrbio do sono e alterações do climatério produzem exatamente o mesmo conjunto de sintomas.

Referências

  1. Ralli M, Angeletti D, Fiore M, et al. Hashimoto’s thyroiditis: An update on pathogenic mechanisms, diagnostic protocols, therapeutic strategies, and potential malignant transformation. Autoimmun Rev. 2020;19(10):102649. doi:10.1016/j.autrev.2020.102649
  2. Chaker L, Bianco AC, Jonklaas J, Peeters RP. Hypothyroidism. Lancet. 2017;390(10101):1550, 1562. doi:10.1016/S0140-6736(17)30703-1
  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diretrizes sobre hipotireoidismo e doenças da tireoide.

Conteúdo informativo, escrito e revisado por Dr. Mitsuo Obata — Médico · CRM 52541/PR. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Resultados variam de pessoa para pessoa e não são garantidos.

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Dr. Mitsuo Obata

Médico com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia. Atende em Londrina e por telemedicina, com foco em lipedema, tireoide e emagrecimento.

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O acompanhamento é conduzido pelo Dr. Mitsuo Obata, médico com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia, presencialmente em Londrina e por telemedicina para pacientes de outras cidades e estados.

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